O México é logo ali.

 

Ando com muita saudade do meu irmão. Ele sempre escreve apesar do trabalho intenso, mas mesmo assim a saudade não passa. A maravilhosa invenção da webcam faz seu rosto não paracer tão distante e nem tão marcado pelo tempo que vai passando implacavelmente. E mesmo a distância sendo tão cruel, ela não consegue me fazer perder a nítida imagem que tenho de seus traços quando visto de perto. Colado. Do sorriso, do som de sua risada e de seu olhar. Não dou esse direito a ela. Afinal ela pode ser grande, mas não é duas. Nossas birncadeiras de crianças refletem no espelho que olho todos os dias. Era a nossa brincadeira. Ele e eu de frente ao espelho olhando pra uma multidão. Uma multidão que nos aplaudia enquanto gargalhávamos. Tínhamos o mesmo amigo imaginário. Um amigo que nos acompanhava todas as noites quando ainda dividiamos o mesmo quarto quando pequenos. Um amigo que fazia tudo o que não podíamos fazer e que por isso era nosso ídolo. O único ídolo que tivemos na vida já que nossos pais não podem concorrer ao cargo. Era um carinha esperto, mais velho, que estudava a noite, namorava, podia chegar tarde e beber cerveja, que não precisava dar satisfações a ninguém e que, isso era um dos pontos mais importantes, não precisava tomar banho todos os dias. O nome dele era Menino Prodígio. O ídolo que nos acompanhou por anos e que de repente sumiu sem dar notícias. Não me lembro quando ele foi embora. Mas assim como meu irmão que está longe levando sua vida de homem de negócios e casado, o nosso Menino Prodígio também permeia meus pensamentos com boas e engraçadas lembranças de uma época onde tudo era mais fácil, uma época onde ainda podíamos rir de tudo sem culpa. Uma época que passou, mas que o tempo não me deixa apagar da memória assim como o sorriso dele que tenho guardado aqui comigo quando vi seu rosto saindo do saguão do aeroporto em julho passado. Te amo, André.

 

 

Nóis dois.

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