Respeitável público!
E o filho da mãe fez que fez que conseguiu. Embarca dia 26 pro Canadá pra integrar a equipe do próximo espetáculo do Cirque de Soleil. Sobre os Beatles, ouvi dizer. Mas o bacana não é só isso, depois ele vai pra Las Vegas onde apresentará o espetáculo ganhando em dollar. Ontem foi a despedida dele lá no Segundas Intenções junto com mais uma série de apresentações. Então peguei o buzão e debaixo de uma chuvinha bem chata me mandei pra lá. As pessoas foram chegando aos poucos. Era dia de festa e todo mundo sabia disso. Começou com a peça Análise Comportamental e Crítica da música Eduardo e Mônica com o Xepa e o Pablo Perosa (última apresentação da peça que agora é “cult” – pensaram até em fazer uma camiseta (né, Aninha?) escrito o título da peça seguido de EU FUI... -, Rubens Caribé cantou Hair, teve a dupla Comida dos Astros que me tirou várias risadas, a Fernanda cantou uma versão de Etta James da música Leave your hat on que me deixou atônita, uma banda de heavy metal, o Xepa interpretou My Way “a sua maneira...” (quase tive que sair pra tomar um pouco de ar!) e pra finalizar contamos ainda com uma participação mais do que especial do Ceccato “interagindo” com seus companheiros de profissão. Foi de rolar de rir, com direito a mão na barriga. A discotecagem do Marião fechou com chave de ouro (a minha noite, pois quando fui embora ainda tinha bastante gente por lá) e na hora certa a Mariana me ofereceu uma carona que eu sabiamente não recusei. Ainda bem que a Fernanda ligou me intimando a comparecer. Tinha toda razão. Tinha um monte de gente legal lá. Um monte.

Xepa e eu no O Herói Devolvido.
E o filho da mãe tá indo pra Las Vegas.
Dia a dia.
Só por hoje.
Acordo, tomo café e acendo um cigarro pra ler o jornal.
Almoço e logo em seguida acendo um gigarro pra ajudar na digestão.
Durante a tarde tomo inúmeros cafezinhos, todos eles seguidos de cigarros.
Se fico puta, nada mais normal, acendo um cigarro.
Se não fico puta acendo um cigarro do mesmo jeito.
O cigarro acompanha também as cervejadas, os churrascos e a conversa com os amigos.
Durante um filminho em casa com pipoca.
Quando fico pensando na vida olhando pela janela do meu quarto.
Quando fico chateada pelo telefone que não toca.
Para esperar o ônibus que sempre demora (esse é fundamental, quem pega ônibus e fuma sabe que sempre que acendemos um cigarro o ônibus chega!)
Na fila pra comprar ingresso pro cinema, pro teatro.
Quando escrevo, quando leio.
Quando sou toda ouvidos.
No camarim e antes de dormir, o último cigarrinho.
Aos poucos vou me interando de como mexer nesse lance aqui e tudo vai voltar ao normal. Enquanto isso não acontece!
Vendo tudo que anda acontecendo onde os Estados Unidos da América metem o dedo ou o exército ou mesmo onde não metem nada quando deveriam, eu só osso perguntar: De quem é a demência?
Saiu na Folha de São Paulo hoje:
PÉ NO MANICÔMIO
Autor do clássico beatnik "Pé na Estrada" tinha pretensão a James Joyce, diz Marinha dos EUA
Kerouac sofria de "demência precoce"
SÉRGIO DÁVILA
DA REPORTAGEM LOCAL
Não foi a única crítica destrutiva sofrida pelo escritor norte-americano Jack Kerouac (1922-69), um dos pais da literatura beatnik -afinal, seu seminal "Pé na Estrada" (1957) chegou a ser classificado de "datilografia, não literatura" pelo jornalista Truman Capote (1924-84).
Mas deve ter sido a primeira. É o que revelam relatórios da Marinha dos Estados Unidos até ontem reservados, obtidos pelo site de investigação policial norte-americano "The Smoking Gun", da emissora Court TV e baseado em Nova York.
Segundo os textos, de 1943, o jovem de 18 anos aspirante a marujo estava sendo dispensado dos serviços militares em plena Segunda Guerra Mundial por apresentar "fortes tendências esquizóides, que ainda não atingiram a psicose, mas chegaram perto", entre outras razões.
Num dos textos, Kerouac afirma ao seu interlocutor médico que, aos 14 anos, teve contato sexual com uma mulher de 32 anos que o "incomodou de alguma maneira". No mesmo relatório, sua mãe diz acreditar que "ele seja heterossexual, mas com pouco interesse por garotas".
Até sua morte, aos 49 anos, o próprio Kerouac nunca assumiria sua bissexualidade publicamente, a não ser via personagens de seus livros, principalmente os da ficção com fortes traços autobiográficos "Pé na Estrada" ("On the Road", no original).
Um segundo relatório, que recomenda a baixa de Kerouac, ressaltando que ele "não representa uma ameaça pública ou a ele mesmo", detalha os hábitos de masturbação do futuro escritor, as bebedeiras, "as vozes e sinfonias em sua cabeça" e a ambição literária. Aqui, a resenha dos médicos, J.J. Head, A.S. Levine e M.D. Spottswood, é dura.
"Ele está escrevendo um romance, no estilo de James Joyce, sobre sua cidade natal e passa em média 16 horas diariamente tentando dar forma a ele. Mas isso é apenas uma experiência, e ele não pretende publicá-la."
Estaria ali provavelmente a semente do livro que, mais de uma década depois, Kerouac batucou freneticamente num rolo de telex, sem intervalos nem divisões. O irlandês Joyce (1882-1941), por sua vez, apanhava da junta médica por tabela pelo hermetismo de sua obra principal, "Ulisses".
Kerouac afirmaria que foi levado à enfermaria militar com apenas dez dias de ativa, em 1942, depois de reclamar de dores de cabeça. Lá, segundo ele, foi diagnosticado com "traços de demência precoce" -e nunca mais voltaria à ativa. Um investigação sobre seus supostos problemas mentais seria aberta e o levaria à baixa, no ano seguinte.
O site obteve o documento reservado dos arquivos de pessoal do escritório da Marinha em St. Louis, no Missouri. Fac-símiles dos originais podem ser vistos no endereço www.thesmokinggun.com/archive/0906052-jack-kerouac-1.html.
Conforme revelou a Folha em agosto, "Pé na Estrada" vai virar filme pelas mãos do brasileiro Walter Salles. Os direitos cinematográficos são de Francis Ford Coppola, que pode produzir o longa, previsto para 2007.
Domingo assisti Água Negra também com direção do Walter Salles e depois disso só me resta rezar para que ON THE ROAD tenha outro destino.
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