Semana passada.
Quarta-feira.
Oito e pouco da manhã.

Eu em plena selvtava lá e posso dizer que foi du caralho. Queria ver o filme pra ver se o Luis Montes consegui deixar o clima como ele deve ser. Parece que sim.


André Ceccato e Milhem Cortaz

Esses caras me enchem de orgulho.

Sem mais.

Semana passada.
Quarta-feira.
Oito e pouco da manhã.

Eu em plena selvra mim, sentado numa cadeira a beira mar depois do almoço de seu aniversário anos atrás, ter vivido sem arrependimento de um único ato. Também fez parte do partido comunista, foi preso, conheceu e ajudou Luis Carlos Prestes quado este precisava fugir daqui na ditadura militar, teve duas famílias numa época em que isso era quase inaceitável. Uma vida cheia de histórias. Eu, muda, sentada aos seus pés apenas contemplava as ondas que batiam e escutava atenta suas muitas coisas. E hoje ele se foi. Pediu um copo d´água e se deixou levar. Assim, simples.

Parte de uma das cartas que ele me mandou (me lembro que era pequena, pois sempre ia ao consultório dele e deixava bilhetinhos em sua mesa. Eu escrevia e assinava em nome de todos os meus irmãos) - sem data



Semana passada.
Quarta-feira.
Oito e pouco da manhã.

Eu em plena selva mais forte que já conheci. Nunca ninguém vai chegar aos pés dele e nem tem como conseguir. Quando moleque ele levou uma vida tranquila, tinha tudo o que uma criança poderia querer. Era apenas ele e uma irmã com uma diferença de 10 anos. Ele o mais velho. Tinham quase tudo, talvez não tanto amor, mas pra uma criança isso ainda não preocupa, afinal é muito mais bacana ter coisas que ser uma criança amada. E nada como o tempo para resolver esse tipo de questão. Tempo e terapia. Naquela época, quando a medicina, profissão de seu pai, garantia um futuro estável e sem preocupações ele brincava com seus amiguinhos na rua da consolação quando as casas ainda dominavam o bairro. Sempre foi um aluno aplicado, preocupado em ser alguém na vida. Quando fez 18 anos sua vida deu um giro que nem ele e nem ninguém de sua pequena famíla esperava. Seus pais se separaram e ele teve que assumir o comando da casa, ser o homem que ele ainda não estava preprado pra ser, já que seu pai havia escolhido uma outra família pra dividir a vida. Naquela época as mulheres ainda não eram tão independentes, eram donas de casas, costuravam e aliviavam suas neuroses ouvindo rádio novela. Mesmo tendo que correr atrás do dinheiro, que de repente sumiu, para dar para sua mãe fazer a feira da semana, ele nunca perdeu sua fé nas coisas boas da vida e continuou a olhar o mundo e as pessoas com certo encanto. Estudou muito, fez parte do partido comunista quando fazia Direito na Universidade de São Paulo e brigava por um mundo melhor, mais humano e digno para todos. Bons tempos, que eu não vivi, quando os ideais valiam alguma coisa e as pessoas pensavam em conjunto, não cada um por si como é hoje. Entrou em várias faculdades, chegou a ter a oportunidade de fazer Medicina em Cuba, mas terminou apenas uma, a de Psicologia. Casou, teve três filhos do primeiro casamento, André, Aline e Maína. Viveu com sua primeira esposa, mas a vida é cheia de surpresas e ele se separou depois de 11 anos. Considerado um dos melhores profissionais da sua área, sempre deu mais atenção aos sentimentos, seus e dos outros, e se casou novamente com uma m, garantia um futuro estável e sem preocupações ele brincava com seus amiguinhos na rua da consolação quando as casas ainda dominavam o bairro. Sempre foi um aluno aplicado, preocupado em ser alguém na vida. Quando fez 18 anos sua vida deu um giro que nem ele e nem ninguém de sua pequena famíla esperava. Seus pais se separaram e ele teve que assumir o comando da casa, ser o homem que ele ainda não estava preprado pra ser, já que seu pai havia escolhido uma outra família pra dividir a vida. Naquela época as mulheres ainda não eram tão independentes, eram donas de casas, costuravam e aliviavam suas neuroses ouvindo rádio novela. Mesmo tendo que correr atrás do dinheiro, que de repente sumiu, para dar para sua mãe fazer a feira da semana, ele nunca perdeu sua fé nas coisas boas da vida e continuou a olhar o mundo e as pessoas com certo encanto. Estudou muito, fez parte do partido comunista quando fazia Direito na Universidade de São Paulo e brigava por um mundo melhor, mais humano e digno para todos. Bons tempos, que eu não vivi, quando os ideais valiam algumulher que tinha mais a ver com ele que a primeira. Era também psicóloga, separada do primeiro marido, com um filho pequeno, o Alex e 16 anos mais nova. Casaram-se e tiveram mais uma filha, a caçula Thais. São casados há 26 anos e se amam. Ele teve uma vida muito difícil depois de seus 18 anos, levou muito tapa na cara da vida e chegou muito próximo da morte num acidente de carro que sofreu na Avenida Santo Amaro anos atrás que o deixou na cadeira de rodas por um tempo considerável. Mas o cara é sangue ruim e tem voz potente quando quer fazer seus discursos e depois de muitos meses de recuperação e uma cicatriz em L onde foram colocados pinos de platina na bacia, ninguém diz que ele já passou por isso. Hoje em dia seus filhos estão crescidos, sua mãe está segura, sua irmã tem uma vida sem preocupações e ele pode dançar seu tango lindamente nas milongas da vida. Se acreditamos em nós e porque acreditamos nele. Amanhã é mais um dia especial em nossas vidas. Um dia onde toda nossa crença nas coisas boas podem ser questionadas. Mas a família Abovsky é dura na queda, aprendemos com ele que pra tudo tem solução e não adianta se desesperar com bobagens. A solução está em acreditarmos que no fim tudo dá certo. E dá mesmo. Estamos juntos sempre, não precisa se preocupar.Te amo, pai.

Essa insônia um dia me mata. Qual o melhor remédio?

Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura