Um nó no meu estômago


Em homenagem ao Márcio, um cara bacana que partiu muito cedo.


Elas são muitas e são de Franco da Rocha.

Elas não têm visita íntima e não são íntimas de ninguém.
Elas não podem usar nada que fuja do branco e bege.
Elas não falam palavrões entre elas lá dentro.
Elas se cominicam pelas mãos entre elas, mas isto ninguém sabe.
Elas te olham com um olhar desconfiado, mas logo passa.
Elas fazem o contorno das tatuagens lá dentro para poder colorí-las aqui fora.
Elas te chamam de Dona e Senhora, mesmo que você tenha menos idade que elas.
Elas são muitas e gritam quando a comida tá azeda e têm que esperar o jumbo seguinte.
Dentro das celas, na hora de comer, é proibido ir ao banhiro e tossir. E isto é muito sério.
Elas pegaram de 2 a muitos anos. Alguns 12s forjados, elas disseram.
121 é pouco, mas existe. 157, é pouco, mas existe. 171, é pouco, mas existe.
E o marido ou namorado que as deixaram sozinhas depois de terem caído é o que mais existe.

Fumei uns cigarros com elas no banheiro e me lembrei da época de escola quando eu fazia a mesma coisa. Fiquei olhando e ouvindo o que elas tinham a me dizer. E elas têm muito o que dizer. Elas me pegavam pelas mãos e não me deixavam ir embora. O que pretendem fazer quando sairem? Melhor perguntar a elas.

Tô sem vontade de escrever...então vou postar algo que um amigo me mandou direto da Nova Zelândia. Porra, brother, tu tá na Nova Zelândia e fica perdendo tempo na internet?! Só podia ser amigo meu mesmo...

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar a pressão.

Cada dia que eu vou comprar o dito cujo, o preço aumenta. Controlar a pressão é mole. Quero ver controlar o preção. Tô sofrendo de preção alto. O médico mandou cortar sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais. Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero, é minha patroa, não tem perigo: Ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo. Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico.
Sério! Não sei mais o que é Real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real. Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas: Sabe aquele carro? Esquece! Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece! Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas.

Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida. Entra por um ouvido e sai pelo outro.


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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos, Arte e cultura